Resenha Dupla | Castlevania + Eu Sou a Lenda

Eu sou a lenda!¹ Que livro. Gostaria de alertar logo de início que se você ler esse livro você vai ser contagiado com uma ressaca literária gigante… Primeiramente, se você viu esse filme e gostou pare de ler. Brincadeirinha. O livro é extremamente diferente da adaptação. No livro o autor, Richard Matheson, descreve um vampiro como nunca havia tido antes, ele brinca bastante com essa concepção de morto-vivo; não sei se foi por essa razão que os vampiros ganharam um toque “zumbificado” no filme – o que faz zero sentido, e aposto que o autor teria detestado a adaptação.

p.s. mini spoilers inclusos.

reprodução: giphy


Editora Aleph²
Richard Matheson
384 páginas
Terror, Ficção Científica, Thriller, Fantasia
Sinopse: A história se passa em um futuro não muito distante, quando todo o mundo é assolado por uma impiedosa praga. Homens, mulheres e até crianças são transformados em monstros carnívoros, e é nesse cenário pós-apocalíptico, tomado por criaturas da noite sedentas de sangue, que Robert Neville se torna o último homem na Terra e passa os dias em busca de comida e suprimentos, lutando para manter-se vivo e são. Mas os infectados espreitam pelas sombras, prontos para acabar com o último bastião da humanidade.

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Conhecemos vampiros por sabermos que eles morrem se forem ao sol, estacas no coração, fobia a alho e cruzes. Esse é o padrão clássico de vampiro que temos. Pois bem, o autor desmistifica cada um desses pontos, explicando a razão do vampiro detestar alho ou ser avesso a cruz, de uma forma até quase científica em alguns pontos.

O Robert Neville, o suposto e único homem sobrevivente do planeta, começa praguejando sobre ter que reforçar sua casa contra os ataques, escuta música clássica ao longo de suas divagações mentais e como ele está só sua consciência parece se dividir em várias; o que logo se torna sua única forma de entretenimento e fonte de diálogos.

Quanto mais ele vive, mais precisa de cigarros e bebidas para poder suportar a existência, mas incrivelmente ele não consegue encontrar uma razão para não sobreviver. É incrível que mesmo em um mundo pós apocalíptico ele consegue manter uma “rotina”: acorda cedo, dorme cedo mesmo que bêbado às vezes; pela manhã vai até suas criptas, encontra vampiros em geladeiras e todos os tipos de buracos, mata-os; queima alguns corpos; coleta mantimentos na cidade ou faz reparos em sua casa e produz mais estacas – perfeitamente comum, não é?

Mesmo que seja uma narrativa “sem diálogos”, a leitura flui de uma maneira fantástica, porque mesmo que Neville esteja só, ele sempre está no ápice do caos, ora descreve seus pensamentos insanos e ora fica em seus questionamentos vampirescos. É curioso como em um dos pontos altos o autor utiliza do próprio volume do Drácula para brincar e satirizar muitos dos elementos do livro, como se os vampiros de sua estória fossem impossíveis de acreditar, e de quebra começa a desconstruir os mitos. Por exemplo, algo interessante, um vampiro ateu não poderia ser avesso a cruz, assim como um mulçumano, hindu e outros.

Um dos pontos altos é que ao longo Robert Neville descreve suas ações e seus picos através de música – o que lembra bastante o jeito de Laranja Mecânica – como se fosse o autor que estivesse escutando essas sinfonias e passasse para o personagem. Diria que vale a pena ler com essa trilha sonora, em alguns momentos principalmente. Pra isso, fiz até uma playlist! Espero que gostem de música clássica u.u (e longas sinfonias)

reprodução: pinterest


A estória³ começa de forma bem objetiva. Um campo de esqueletos empalados em estacas, morcegos e um grande castelo assustador. Lisa, uma médica da vila deseja curar mais doenças e poder ajudar as pessoas, mas todos seus recursos são insuficientes e ela não consegue encontrar um meio adequado; então, “de forma muito simples ”, ela resolve pedir ajuda ao temível e lendário Conde Drácula, sem um pingo de medo ou receio. O conde tampouco faz cerimônia ao pedido dela, e a cada palavra e gesto altruísta dela, ele se torna mais e mais encantado; como se ela fosse realmente a primeira humana que pudesse fazê-lo gostar da humanidade , e realmente, isso se prova rápido visto que ele oferece um laboratório com equipamentos variados.

No primeiro episódio a trama dá alguns saltos, para que possa fluir e chegar no ponto inevitável que constitui a obra: a abertura dos portões do inferno na terra (bem meigo); desse ponto em diante a trama fica muito similar ao mundo de Neville. Mostra um pouco das motivações de cada personagem, Lisa, Drácula e até o caçador de vampiros, Trevor Belmont.

O único ponto negativo é que os episódios parecem querer contar mais do que realmente conseguem no tempo estimado, assim, sempre fica aquele gosto de tensão no ar, problemas a serem resolvidos e poucos episódios. A parte boa é que é possível achar algumas versões do mangá, apesar que a estória não deverá seguir no mesmo passo pode ser interessante para você que conheça e se familiarize com as versões e visões dos diferentes personagens da saga.

É algo rápido e fácil de acompanhar, e  super recomendável para curar sua ressaca com “Eu sou a Lenda”, sem falar na qualidade sobrenatural de imagem e um enredo que te prende tanto que chega a ser doloroso saber que a série tem apenas quatro episódios e cada um de vinte minutos. Vale lembrar que não tem censura, ou seja, não há economia nas tripas voando, sangue e linguajar. E, melhor, um fator animador: a segunda temporada está confirmada!

p.s.¹. o começo do livro é bem estranho, porque Neville, apesar de nada parecido, lembra bastante o Neville Longbottom. Fiquei até me perguntando se J. K. Rowling saiu pegando os nomes dos protagonistas de histórias antigas…

p.s.². que edição! Sério, se tem um livro que vale a pena ter é um livro da Aleph. Vá por mim, você não vai se decepcionar.

p.s.³. você acha os mangás de Castlevania procurando por: “Curse of Darkness”, “Symphony of the Night”, “Legado Belmont”.

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