Escrevendo Estórias Simultaneamente

Começar uma estória pode ser o passo mais difícil — e vergonhoso — do mundo. Após passar pela primeira experiência, você tende a se sentir mais seguro com as próximas, principalmente se as estórias tiverem um tipo de vibe semelhante. Por exemplo, há alguns meses eu terminei um livro, Cavaleiro de Espadas, ele mistura aspectos fantásticos com romance, ao longo do livro coisas que eu não me achava tão bom – diálogos e descrições de lugares reais – foram fluindo de forma fantástica. Mas, vem o “x” da questão, quando se tem mais de um gênero para escrever? Mais estórias acontecendo na sua cabeça simultaneamente, o que fazer? Essa é a ideia chave do artigo de hoje.

 

De início, dois cenários podem acontecer; 1) você desenvolve de forma impressionante, depois que supera o bloqueio do começo; 2) a estória começa de forma muito clara e delineada em sua mente, mas lá para metade, começa a diminuir o ritmo até parar; e isso em um cenário onde você está escrevendo um romance, uma ficção, um new adult, etc. geralmente significam várias páginas do word que se multiplicam em pastas e mais pastas de estórias distintas, e aí é hora de se preocupar!

Honestamente, eu não aconselho ninguém a desenvolver estórias ao mesmo tempo, e digo de antemão: são várias vidas, eventos e problemas, felicidades e dramas, personalidades, nomes, jeitos… e, se não houver um mínimo de cuidado, as coisas podem acabar se misturando, ficarem emboladas a tal ponto de começar a esquecer os detalhes, que em algum momento vão fazer falta no enredo e vai acabar vindo à tona os famosos “buracos de enredo”.

Outra coisa que fica bastante evidente é o fato de, ao invés de você se concentrar em uma, vai ter que dividir sua atenção com várias, e pode acabar não dando seu melhor em algumas cenas, ou deixando as coisas superficiais demais; principalmente se você aposentou certas escritas por muito tempo. Isso também contribui para o bloqueio mental, afinal, se não está dando conta de uma, como vai conseguir brotar ideias para várias?

Bom, se você está lendo isso e ainda não conseguiu finalizar nada devido várias ideias o tempo todo, a minha dica exclusiva que recomendaria que você seguisse seria: crie uma imersão com você e o livro que quer terminar. Eu vi uma filme certa vez, The Words (As Palavras), assim como tantos outros, nos quais o escritor conseguia terminar um livro em questão de semanas, ou poucos meses, devido à grande sintonia, e bem, se você já trabalhou em algo continuamente, a tendência é que em alguma hora comece a pensar o quão bem a estória está fluindo; para mim, esse foi o pulo do gato para conseguir finalizar algo, pela primeira vez em tempos.

você já teve ideia para o desenho nas laterais, mas nada de finalizar o livro…

Você pode anotar as ideias “avulsas” que aparecem, talvez você possa usar mais tarde ou em sua estória atual. Às vezes muitas dessas ideias são bem próximas ao eureca, vem quando você menos espera, e somem num piscar de olhos; coisas que talvez você tivesse negligenciado; por isso, sugiro que mantenha sempre um esqueleto de ideias e do enredo, com possíveis cenas, personagens; esse é o primeiro passo fundamental para não perder sua estória de vista. Outra ideia que me ocorreu recentemente, e pretendo desenvolver, e dizer por aqui se funciona bem, é criar fichas de arquivos recheados com descrições sobre cidades que passei, fotos e detalhes que possam servir de ambientes futuros; acredito que isso deve dar aquele toque de originalidade que toda trama necessita…

Enfim, você imagina um universo distópico onde as máquinas são capazes de sentir dor, e a ideia a princípio soa incrível. “Wow, eu preciso escrever sobre isso”. Porém, na hora h outras ideias começam a surgir no delineamento da ideia; e você se questionaria: como elas agem? Porque elas sentem dor? Tem um espectro maior na estória ou será apenas um detalhe que poderia passar sem? Logicamente isso é só uma das situações das centenas possíveis que acontecem em uma estória, se for considerar o tamanho da complexidade.

Bem, acredito que o segundo passo vital, independente se você está escrevendo duas ou mais estórias, é quando você sabe que tipo de autor você é; particularmente, eu já vi vários métodos para começar a escrever um livro, como Hemingway que através de pequenas frases reescritas centenas de vezes chegam a virar algo denso, talvez você seja bem insano como eu, Jack Kerouac e Chuck Pallaniuk e queira escrever seu livro numa tacada só, ou fique postergando e aperfeiçoando com o passar do tempo assim como Orwell. A questão que quero dizer é: saber isso vai ter permitir saber o que precisa, imersão no universo, calmaria e lapidação, e assim por diante…

em um universo paralelo, não muito distante…

Chegou até aqui e quer escrever várias ainda assim? Que tal fazer um cronograma? Por exemplo: segunda escrevo romance, terça imersão em alta fantasia, quarta no terror cósmico etc. Pode soar mecânico, mas, quando você aceita escrever todos os dias, mesmo que seja algo bobo, é uma chance a mais de criar aquele hábito para aqueles dias de ressaca e melancolia que nada que saí dos seus dedos parece ter algum valor. Outra sacada seria manter anotações nas laterais ou no começo, o word é uma ferramenta perfeita para ambas as coisas. E a menos que você tenha uma memória ruim, o que já de início eu aconselharia você a desistir dessa ideia, revise as estórias; talvez soe estranho, mas dessa forma você gastaria muito mais tempo do que se estivesse focado em apenas uma estória.

E, um adendo final: pelo amor de Sauron, não faça que nem muitos autores com estórias “gêmeas”. Gêmeos no sentido de ser igual mesmo; copiar coisas que já aconteceram em sua estória anterior, falas, e até personalidades. Creio não precisar citar nomes, mas se for para copiar e desenvolver, que seja desenvolver um mesmo tema de forma diferente.

Acredito que muitos leitores ficariam desanimados ao perceber, e você não quer isso, não é?! Então, me conte, que estórias você tem vivido em sua mente? Conte-me um pouco da sua experiência 🙂

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