Além do Livro | O Estranho Caso de Jekyll & Hyde

Segundo Stpehen King os três melhores livros de terror são: Drácula, Frankenstein e Jekyll and Hyde, formando assim o par clássico para que um leitor possa adentrar esse mundo de mistério. Quando eu li isso, achei particularmente intrigante, então, se você não leu saiba que vem spoiler adiante, você também foi avisado que esse será o melhor livro que você vai ler esse ano! Vamos lá?

Como competir com um livro que inspirou músicas, estudos psicológicos, filmes, quadrinhos e tantas outras coisas? Stephen estava correto. Por isso, eu não te aconselho a não pesquisar “Jekyll and Hyde” em busca de imagens, até existe trailers de sua adaptação, inclusive quadrinhos adaptados, isso porque em alguns lances de imagem, você terá o enredo principal do livro, no qual, se baseia boa parte do suspense e das reviravoltas do livro. Isso vale para introdução do livro (se houver) e até a sinopse. Quando eu escutei pela primeira vez, apenas havia escutado bons comentários sobre, e raramente vejo necessidade ler uma sinopse, então isso facilitou que eu tivesse a melhor sensação do mundo ao ler esse livro.

Então, você tem certeza que deseja continuar? 🙂

O livro, O Estranho Caso de Dr. Jekyll and Mr. Hyde, ou mais conhecido como O Médico e O Monstro tem um tem uma abordagem dual, na qual Jekyll é um médico altamente respeitado, e ilustre em todos os campos sociais, assim bem versado como só ele ali em Londres, Hyde vive debaixo de sua “saia”, pois, tem aparência caricata, parece deformado e sempre atrai olhares e pensamentos negativos.

reprodução: pinterest

Obviamente, Hyde, vem do inglês de Hide, que significa esconder. Assim, essa parte que o médico tenta ocultar, é inevitavelmente liberada, quando se prepara uma poção, e o único resultado provido disso é essa transfiguração e exposição de todos os desejos sombrios. Por isso, o próprio Jekyll afirma que ao mudar de corpo, estaria com sua consciência cochilando e nada afetaria em seu cotidiano. Já vi essa dualidade sendo comentado por Deepak Chopra, na abordagem da sombra, em que a autora tenta expor que temos um eu interno supostamente mau, então, Stevenson apenas leva adiante essa antiga noção da nossa sombra, com uma cópia que habita as trevas e é a encarnação do perverso, o que explica a fisionomia, a baixa estatura de Hyde, e todos seus impulsos.

Na mesma época Freud escreveu: “O eu não é senhor em sua própria casa”, bem como, criava os conceitos de ego e id – o eu e o isso. Traz a luz aquela mesma batalha do barroco, bem e mal, consciente e inconsciente, luz e escuro.

A essa altura já eram nove da manhã, e o primeiro nevoeiro da estação baixou dos céus qual uma grande mortalha cor de chocolate. Com o vento continuamente atacava e punha em debandada aquelas massas belicosas de vapor, o sr. Utterson pôde apreciar um num incrível de graus e tons de penumbras enquanto o cabriolé avançava lentamente pelas ruas; isso porque se, num lugar estava escuro como as profundezas da noite, mais acolá havia um brilho soturno e intenso de marrom, como a luz de estranha conflagração; mais adiante, por um momento um nevoeiro se dispersava de todo e i, débil raio de sol despontava através das nuvens em rodopio. O lúgubre Soho – deixando entrever as cenas cambiantes seus caminhos lamacentos, transeuntes ou tinham sido acendidos de novo para combater aquela funérea retomada da escuridão – parecia, aos olhos do advogado, o bairro de alguma cidade vista em pesadelos.

Assim, como a doença é um ponto de vista sobre a saúde e vice-versa; ambas são apenas um jogo de superfície. Bem assim, se explica o caso enigmático de ambos, pois, o id é a parte inacessível, e suas características são opostas ao eu, apesar de ambos nunca se encontrarem, o médico e o monstro compartilham a memória, diferente de outras faculdades, enquanto um está velho, senil e com pouca vitalidade, o outro é jovem, impetuoso e cheio de vontade.

O mistério maior, para nós, é se dois são um ou são excludentes? Pois, no livro, Jekyll confessa que a ideia lhe apeteceu, enquanto um pode aspirar por grandes sonhos, exercer suas faculdades de maneira honrosa enquanto outra parte de si, não precisa carregar o fardo social e está liberto para seus desejos e vontades mais naturais. E o que comprova um dos pontos altos da trama, é esse jogo de gato de rato, que o médico submete seus amigos, Lanyon e Utterson, para se compadeçam e tentem não julgar Hyde, pois, todos acreditavam que seu protegido, Hyde, estaria apenas querendo se aproveitar dele, ficar com toda sua fortuna após sua morte e do jeito que era, a era do questionamento de todos: porque ele não havia notado que havia certo mistério negro em Hyde?

Depois, que você tem ideia disso tudo, considero que vale a pena reler, com isso em mente, que os dois são um, e então, o livro ganha outra nova perspectiva, porque outro grande mestre, Edgar Allan Poe, “há não apenas livros que não se deixam ler, como também, no homem, uma imensa carga de mistérios que não consentem serem resvalados.”

Então, o que vocês tem a comentar sobre Jekyll & Hyde? Sou todo ouvidos ou olhos (olha a dualidade atacando, rs :))

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Comments

  1. Então, eu gostei muito do livro!!! Teria algo similar a ele para me recomendar?

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